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Capítulo 34: XXXIV - Manuel Quintino alucinado

Página 381
XXXIV - Manuel Quintino alucinado

Melhor do que qualquer dos personagens desta cena, prevê o leitor os motivos do aparecimento de Manuel Quintino na sala e do estado de perturbação em que se apresentou.

As revelações da criada tinham-no feito já, como vimos, sair desorientado. Chegando a casa de Mr. Richard, soube, do criado de Carlos, que Cecília havia entrado pela manhã no jardim; mas conjecturava este que ela provavelmente se retirara já, porque a não vira mais em casa. – Os criados, que serviam à mesa, confirmaram a conjectura, assegurando a Manuel Quintino que Cecília não tinha assistido ao jantar.

Não é possível dizer que ideias se sucederam no espírito de Manuel Quintino ao ouvir tudo isto. Correu-lhe pela vista o véu das névoas que antecedem uma vertigem. Tomou-se-lhe o coração de dor e de cólera; esqueceu todas as considerações que poderiam ainda sopeá-lo, e rompendo, em vociferações incoerentes, por entre os criados que o rodeavam, apareceu, como vimos, verdadeiramente alucinado diante de Mr. Richard e dos estupefactos convivas.

O olhar de Manuel Quintino, animado por expressão estranha, correu em um momento a sala.

A ausência de Cecília acabou de perturbar o velho.

Fitou Carlos, cheio de raiva pronta a fazer explosão, e atravessando, com andar mal seguro, o espaço que o separava dele, veio pousar-lhe a mão no ombro, dizendo em voz sufocada e trémula por o esforço que fazia a reprimir a violência da paixão crescente:

– Sr. Carlos, eu venho aqui saber da minha filha.

A estas palavras, Jenny descorou. Os dois ingleses conservaram-se boquiabertos; Mr. Whitestone não desviou mais de Manuel Quintino e de Carlos o olhar penetrante.

– Sr. Carlos! – repetia Manuel Quintino, com uma expressão em que se revelava ao mesmo tempo a angústia e a cólera.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 381

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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