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Capítulo 13: XIII - Vida portuense

Página 139
XIII - Vida portuense

Manuel Quintino habitava em uma rua próxima do extremo ocidental da cidade, afastada assim do maior bulício dela – bulício que, desde as três horas da tarde até às seis da manhã, era para o guarda-livros insuportável.

Os gostos de Manuel Quintino tinham de facto variações diurnas tão regulares como as de um instrumento meteorológico.

Nas horas de vida comercial impacientava-o o sossego do bairro em que vivia; ao romper do sol por detrás dos outeiros, que ele avistava ao longe das janelas do seu quarto, tomava-o a febre do trabalho; o cantar matutino das aves por entre os arbustos do quintal, a não ser aos domingos e dias santos, não o tentava a ficar a ouvi-las; parecia que mais belezas de harmonia achava nos gritos dos vendilhões que enchem as ruas da cidade baixa. Pelo contrário, ao declinar da tarde, entrava-lhe no coração a nostalgia doméstica; começava a odiar o escritório, a Rua dos Ingleses, o burburinho das praças, e a suspirar, como o expatriado, pela alegria do regresso; extasiava-se em ver de casa descer o astro do dia, e sumir-se no oceano; espectáculo magnífico, ao qual da varanda da sala de jantar assistia com o prazer do espectador que de um camarote de frente presenceia fascinado a vista final de glória de um drama sacro.

O arranjo interior da pequena casa de Manuel Quintino exprimia certo bem-estar, certo conforto, que principiava a querer transpor os limites que o separavam do luxo.

Permitiam-no os ordenados que Manuel Quintino, como primeiro-guarda-livros, recebia das mãos de Mr. Richard, mãos nunca tão apertadas que não deixassem sair algumas mealhas mais do que o ajustado.

Preciso é porém confessar que o espírito económico e a inteligente administração de Cecília concorriam em grande parte para este resultado.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 139

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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