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Capítulo 21: XXI - O que vale uma resolução

Página 247
XXI - O que vale uma resolução

Cecília, pensando que o pai não prolongaria demasiado o passeio, voltou a casa ainda com dia.

Anoiteceu, porém, sem que Manuel Quintino aparecesse.

Tudo era sombras na rua: para o lado do mar coloria-se o céu do rubor inflamado do crepúsculo… e ninguém!

O coração de Cecília principiou a enevoar-se de vagos receios, que ela até fugia de definir.

Mas estas névoas foram-se condensando em cerração, à medida que descia a noite e Manuel Quintino sem aparecer! A imaginação de Cecília começava já a lembrar-lhe mil escuras explicações daquela extraordinária demora.

A boa rapariga não podia sossegar.

Vinha à janela com esperança de avistar o pai no princípio da rua, e retirava-se para dentro outra vez, pesarosa e assustada porque o não via.

Falava a Antónia, desejando ouvir dela alguma suposição que a tranquilizasse; mas a criada, também assustada com a demora do amo, longe de a animar, aterrava-a com as sugestões da sua fértil imaginativa.

– Olhem agora! – dizia ela. – Não que uma demora assim! Eu nunca vi!… Quem sabe lá? Não lhe fosse por aí acontecer alguma!…

– O que lhe havia de acontecer, mulher? Você também! – disse Cecília, transida de susto com esta vaga insinuação da criada.

– O que lhe havia de acontecer? – prosseguiu esta. – Elas em qualquer parte se armam. Até na cama se quebra uma perna. Veja aquele velho que passava dantes todos os dias por aqui para a alfândega. Então não escorregou um dia no degrauzito da porta, que não tinha mais que isto – e indicava uma mão travessa –; caiu, e de tal maneira, que no fim de oito dias estava enterrado.

Cecília empalidecia só de ouvir estas palavras.

– Mas, se tivesse sucedido alguma coisa, tinham já mandado dizer.

– Conforme, menina… Às vezes acontecem os males em sítios onde ninguém conhece uma pessoa, e, se se não pode falar… Aí está que…

– Havia logo de suceder tudo mal.

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pág. 247 (Capítulo 21)

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 247

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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