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Capítulo 28: XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto

Página 312
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto

A Sr.a Antónia não perdera o seu precioso tempo, nem desaproveitara a ciência adquirida por meio das observações da manhã.

Ao voltar a casa, encontrara na rua o Sr. José Fortunato, e a ele, como fiel aliada, comunicara logo ali o pecúlio de descobertas com que enriquecera o tesouro dos seus já numerosos conhecimentos.

José Fortunato horrorizou-se com a série de estupendas notícias que ouviu de tão autorizada boca.

– Não há que fiar nos homens de hoje! – foi a sentença que ele lavrou, depois de ponderar os famosos artigos daquele libelo difamatório.

– A mim não me enganou o melro – fez-lhe notar a Sr.a Antónia.

– Pois olhe que a mim…

– Agora o que é preciso é abrir os olhos fechados que há lá por casa.

– Abrir?!… Melhor seria fechar alguns que já se abriram de mais para ele… Não sei se me entende?

– Entendo, entendo. Não há-de ter dúvida. Sossegue.

E a Sr.a Antónia, serenando assim as apreensões do seu protegido, entrou para casa. José Fortunato ia pensando:

– Se eu avisasse o pai, mas de maneira que não soubesse que era eu…

Cecília andava contente aquela manhã.

O seu bom coração deixara-se repassar todo de alegrias, dessas alegrias travessas, agitadoras, de quem não quer reflectir no que as faz nascer; alegrias que, vindo à luz, gozam da luz como as crianças, as quais a festejam com risos e cantares, ainda sem saudades do passado, nem incertos temores do futuro a amargurarem-lhes tão ingénuo prazer.

Pobre rapariga! Mal sabia ela que bem de perto a seguia a nuvem que havia de assombrar-lhe o fulgor daquele contentamento!

Antónia maquinava em silêncio contra ela. À semelhança da aranha, em traiçoeira emboscada, aguardava paciente que aquela buliçosa borboleta, que voava em volta de si, viesse prender as asas na sua enredada teia.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 312

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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