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Capítulo 35: XXXVI - A defesa da irmã

Página 397
XXXVI - A defesa da irmã

Jenny abriu vagarosamente a porta do gabinete de Mr. Richard.

Este andava ainda de um para o outro lado, a passos largos, com a cabeça baixa e as mãos atrás das costas.

Ao ouvir abrir a porta, parou, aguardando quem chegava.

– És tu, Jenny? – disse, ao ver o rosto da filha, e usando de uma afabilidade que formava completo contraste com a aspereza com que se dirigira a Carlos.

Jenny aproximou-se do pai e, apoderando-se-lhe da mão, beijou-a com afecto.

– Que quer dizer isso, Jenny? – disse Mr. Richard, procurando retirá-la.

– Deixe-me agradecer-lhe, senhor, uma acção generosa, nobre, digna de si, e que me fez sentir, mais do que nunca, o orgulho de ser sua filha.

– Ora essa, Jenny. E foi para isso que vieste? – perguntou Mr. Richard, sorrindo e já sem o menor vestígio de rugas na fronte, momentos antes contraída.

– E para mais alguma coisa – respondeu Jenny, com a respeitosa familiaridade de filha a quem diz a consciência que nada lhe será recusado.

– Então fala.

– Sabe tudo, não é verdade?

– Sei; infelizmente sei.

– E que tenciona fazer? E perdoe-me o querer assim penetrar as suas resoluções; mas tantas vezes voluntariamente mas confia, que me animo…

– Fazes bem, Jenny, fazes bem – atalhou Mr. Richard, afectuosamente. – Eu não me esqueço de que és uma boa conselheira.

– Bem; então desta vez?…

– Já reflecti; e tomei algumas providências. Carlos partirá para Londres no vapor que…

Jenny moveu a cabeça, em sinal de desaprovação.

Mr. Whitestone, percebendo o gesto da filha, olhou para ela em silêncio alguns momentos.

– Parece que não aprovas, Jenny.

Jenny calou-se.

– Responde, fala. Com toda a franqueza diz-me o que pensas desta medida.

– Pois bem; direi. Não era isso que eu esperava de meu pai.

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pág. 397 (Capítulo 35)

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 397

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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