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Capítulo 15: XV - Vida inglesa

Página 168
XV - Vida inglesa

O jantar correu, ao princípio, silencioso, como de costume.

Mr. Richard, apesar de tudo quanto prometia aquele seu ar de satisfação, fazia as honras da mesa, usando de monossílabos, e não se dava ao trabalho de formular uma oração inteira, sempre que com qualquer palavra solta lhe era possível exprimir o pensamento.

– Roast-beef?… Salame?… Fiambre?… Ostras? – Era a maneira pela qual ele perguntava a Carlos ou a Jenny quais os pratos de que preferiam servir-se.

– Mostarda… Queijo… Aquilo… Isto… Traz… Tira… Leva… – Eram as ordens que recebiam os criados, os quais manobravam com uma prontidão, seriedade e silêncio essencialmente britânicos.

Carlos não se mostrava mais expansivo. Além da pouca disposição para falar, que em regra sentia diante do pai, estava naquela tarde muito fora das habituais condições de espírito, e em outra qualquer companhia decerto lhe estranhariam igualmente a taciturnidade.

Jenny dava algumas ordens, em voz baixa, aos criados, que se inclinavam diligentes para escutá-la; fazia, no mesmo tom, uma ou outra observação a Carlos, e aventurava até algumas perguntas ao pai, sem que lhe fosse possível contudo generalizar conversa.

Tudo isto, a regularidade e perfeito método de serviço, a gravidade e asseio dos criados, e a meia claridade da sala, dava não sei que aspecto solene ao acto, como se fosse uma cerimónia fúnebre.

À medida, porém, que se repetiam as libações e que o efeito dos variados vinhos se combinava na cabeça de Mr. Richard, o velho inglês principiou a despir-se desta soturna gravidade e a língua a desencadear-se-lhe, rompendo aquela espécie de mutismo que lhe impunham as regras da etiqueta britânica.

Verificava-se nisto uma opinião de Fielding, escritor que disputava a Sterne as predilecções literárias de Mr.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 168

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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