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Capítulo 8: VIII - Na praça

Página 81
VIII - Na praça

Havia grande actividade na larga rua chamada dos Ingleses, à hora a que o filho de Mr. Richard Whitestone ali chegou.

A vida comercial estava então no seu auge; numerosos grupos ocupavam os passeios, o centro da rua e os portais das velhas casas que de um e de outro lado a limitam. Presta-se a curioso estudo o aspecto da Praça em ocasião assim.

Nas posturas, no ademã e em várias outras exterioridades dos diferentes indivíduos que compõem estes grupos, pode-se encontrar indícios da posição comercial que eles ocupam.

Vêem-se homens de aspecto grave, de movimentos pausados, de palavras medidas e espremidas, escutadas, aqui e além, por um auditório atento, mudo, boquiaberto, cujas cabeças, balançando-se, como as dos bonecos de porcelana, comentam com movimentos de aprovação as palavras destes oráculos; são directores de bancos, ou de companhias comerciais de outra qualquer natureza, bem ou mal reputadas, as primeiras capacidades da Praça; os accionistas, sempre inquietos pelo futuro dos capitais, meditam cada palavra deles, como as de uma mensagem de Napoleão III, na abertura do parlamento francês.

Mais longe, passeiam, com ar de quem está confiado em si, outros que não escutam os primeiros, mas que os saúdam com fraternal familiaridade. Não têm tão numeroso cortejo a rodeá-los, porém são igualmente cumprimentados por todas as cabeças da Praça; chamam aos lábios das pessoas a quem se dirigem um sorriso de afabilidade, e obrigam-lhes o tronco à inclinação expressiva de acatamento, pouco diferente da da eloquência persuasiva, a qual, segundo um escritor humorista, é representada por um ângulo de 85,5° com o horizonte. – São estes os negociantes que não administram capitais alheios, mas que dispõem de grandes capitais próprios; de quem menos directamente depende, portanto, a numerosa turba dos pequenos capitalistas, mas cujos destinos influem, mais ou menos, sobre os de toda a Praça.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 81

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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