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Capítulo 6: VI - Ao despertar de Carlos

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VI - Ao despertar de Carlos

Jenny ficou ainda por muito tempo imóvel junto da porta, onde se despedira do pai. O olhar corria-lhe pelos objectos que a rodeavam; o pensamento porém não acompanhava o olhar.

Aquelas feições, em que se podia reconhecer, misteriosamente combinada à candura de uma criança, não sei que severidade, toda maternal, tomavam agora um ar de preocupação e melancolia, uma dessas sombras que as ideias graves parece projectarem no semblante de quem não aprendeu a dissimulá-las.

Jenny pressentia haver chegado uma nova ocasião de ser necessário intervir com a sua influência pacificadora e angélica, para dissipar a nuvem, embora ténue, que assomava no horizonte doméstico.

Exercera já de um dos lados essa influência, conseguira adoçar as disposições acerbas de Mr. Richard para com o filho; faltava-lhe porém o resto, estava ainda incompleta a obra; era preciso ensaiá-la sobre Carlos também.

E Jenny, que bem conhecia o irmão, tinha fé em que o não tentaria debalde.

Rompia por isso um raio de confiança por entre as sombras daquela preocupação.

Foi neste estado de espírito que chamou André, para que fosse acordar o irmão.

André era o mais antigo criado da casa, espécie de mordomo jubilado, que servia Mr. Whitestone desde o seu estabelecimento no Porto e trouxera já ao colo os dois filhos do inglês.

– Vá – disse Jenny – diga a Charles que eu o espero na biblioteca.

Carlos dormia tranquilamente, quando o velho André lhe entrou no quarto. A respiração profunda, pausada e regular denunciava um sono livre de pesadelos e de sonhos importunos.

O criado, depois de escutar algum tempo aquele som, único que, como do bater da pêndula vizinha, se percebia no quarto, caminhou com precaução, bem escusada a quem vinha para despertar, até uma das janelas, que entreabriu.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 61

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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