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Capítulo 18: XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos

Página 212
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos

Saindo de casa de Manuel Quintino, Carlos não ia menos agitado do que deixara a filha do guarda-livros.

Aquela visita de Carlos, visita que, a seus próprios olhos, ele procurava fazer passar como a mais natural reparação de uma das suas muitas leviandades, talvez perante a análise imparcial tenha de receber outra qualificação, que não a de um cumprimento de dever.

Se se tratasse de outra mulher, que não fosse Cecília, de outra com menos graças atractivas, embora com mais direitos ainda à reparação, talvez Carlos não chegasse a convencer-se tão profundamente e tão depressa, como parecia ter-se convencido, da instante e imperiosa necessidade daquele passo que dera; talvez o pensamento de tal visita o não tivesse possuído toda a noite e, pelo menos, não se resolveria por certo a realizá-lo, sem haver consultado Jenny, a sua boa conselheira em todos os actos da vida; mas, longe de a consultar, antes lhe andou ocultando com cuidado o projecto, enquanto o meditava, como com receio de ser dissuadido dele.

Há certos homens, escrupulosos respeitadores da letra das leis, que praticarão desafogados qualquer acção, averiguadamente ilícita, sempre que possam sofismar os artigos do Código de maneira que se ressalvem da pronúncia judicial, dando-se-lhes pouco que o espírito que os ditara ao legislador fique muito maltratado pelo sofisma.

Isto que se pratica com as leis civis, poucos são os que, todos os dias e a cada momento, o não fazem também em relação ao código íntimo da consciência. Raros ousam, se alguns, arrostar contra as prescrições deste juiz inflexível e perscrutador, e confessar o delito desassombrados; quase todos as discutem, as torcem, as comentam, alteram e sofismam, até as porem em acordo aparente com os actos que praticaram.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 212

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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