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Capítulo 33: XXXIII - Em honra de Jenny

Página 371
XXXIII - Em honra de Jenny

Oh! Fez bem em vir, Cecília – disse Mr. Richard, caminhando com a mão estendida para a filha de Manuel Quintino –; fez bem em vir alegrar a festa de Jenny.

– Alegrar! – repetiu Cecília, trocando com a sua amiga um olhar de melancolia e de inteligência.

– Alegrar, sim – respondeu Jenny, apertando-lhe as mãos com afecto. – Então cuida que não é alegria suficiente a que a sua presença nos dá?

Cecília suspirou.

– Está doente, Cecília? – perguntou Mr. Richard, reparando para o ar de abatimento que se lhe lia no semblante.

– Uma ligeira indisposição, de que me prometeu hoje mesmo curar-se, em atenção aos meus anos, não é verdade? – respondeu Jenny por ela e em ar de gracejo.

Mr. Morlays, o lúgubre, aproximou-se neste momento de Jenny.

– Miss Jenny – disse ele – eu costumo saudar com júbilo os aniversários das pessoas que estimo, como mais um passo dado para o livramento da vida.

– Oh! Mr. Morlays – respondeu Jenny, sorrindo –, tão pesado lhe parece o cativeiro, para assim suspirar pelo termo dele?

– Deixe-o falar, miss Jenny – acudiu Mr. Brains –; o mau humor de Mr. Morlays explica-se até pela presença de algumas brancas entre os seus cabelos ruivos e pelas duas sinistras pegadas de pata que já se lhe divisam no canto das órbitas.

Mr. Morlays fez uma careta e encolheu os ombros; mas não respondeu.

– Nós outros – acrescentou Mr. Brains – nós outros, os feios e fortes da humanidade – eh!… eh!… eh!… temos razão para nos lamentar, à aproximação das horas do ocaso; mas as que na vida nos servem de astros… essas são sempre brilhantes; porque, até no ocidente, nos encantam as estrelas. Veja pois, sem cuidado, correr o tempo, miss Jenny.

Esta galanteria, de um requinte britânico, mereceu a desaprovação de Mr.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 371

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
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