Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 8: VIII

Página 113
VIII

Saindo da casa do Zé P’reira, Augusto teve de escutar, ainda por muito tempo, as vociferações e pragas com que o Herodes acoimava a fraqueza do compadre, que assim deixara a mulher tomar sobre si um ascendente ofensivo da dignidade varonil. Augusto ouviu tudo com resignado silêncio e atenção um pouco distraída, conseguindo, enfim, a custo, soltar-se das mãos do seu interlocutor, que, no fogo da exposição de tão justos agravos, lhe segurava os braços com pouco afável vivacidade; afinal, porém, pôde deixá-lo e voltou a casa.

Entrando no seu quarto, um pequeno e modesto quarto, mobilado com uma banca, poucas cadeiras e uma estante, cheia de livros, Augusto respirou.

Era ali o seu lugar de descanso; a escola era em outra casa vizinha.

Nesta não havia, a amargurar-lhe as horas do repouso, vestígios que lhe recordassem as do suplício.

Leitor filantropo, que, abrasado em santo amor da humanidade, só entrevês delícias na tarefa do ensino, e fazes deste vigiar e encaminhar o espírito infantil, que desabrocha e respira pela primeira vez no fecundo ambiente da ciência, um sedutor quadro de fantasia, perdoa-me a palavra «suplício», de que me servi, e perdoa ainda mais ao carácter de Augusto o ter saído exacta a expressão, que te feriu os humanitários instintos.

Eu bem sei que é uma sublime missão a do mestre, e que é uma graciosa e amorável idade a da infância; e poucos melhor do Augusto possuíam presente o ideal de uma e amenizavam à outra com branduras os amargores do penoso tirocínio; mas que importa? Nem por isso é menos real o suplício. A cultura dos espíritos é como a cultura das terras. O lavrador exulta, estremece de prazer, vendo pulular do solo, arado e semeado de pouco, os rebentos do grão que o calor

<< Página Anterior

pág. 113 (Capítulo 8)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro A Morgadinha dos Canaviais
Páginas: 508
Página atual: 113

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 15
III 32
IV 49
V 68
VI 81
VII 95
VIII 113
IX 127
X 144
XI 160
XII 176
XIII 192
XIV 206
XV 226
XVI 239
XVII 252
XVIII 271
XIX 292
XX 309
XXI 324
XXII 339
XXIII 361
XXIV 371
XXV 383
XXVI 397
XXVII 404
XXVIII 416
XXX 440
XXXI 463
XXXII 476
XXXIII 487
Conclusão 506
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site