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Capítulo 22: XXII

Página 339
XXII

Dias depois das cenas descritas no anterior capítulo, estava a Morgadinha ocupada a escrever numa das salas do Mosteiro, quando ouviu atrás de si correr o reposteiro da entrada.

Julgando que era algum criado, nem se voltou e prosseguiu na escrita.

- Retiro-me, se sou importuno - disse a pessoa que entrara, e que ficara no limiar da porta.

Madalena voltou-se então e reconheceu Henrique de Souselas.

- Ah! É o primo Henrique? Pode entrar.

- Eu sei! Há correspondências tão delicadas, que demandam a aplicação de todas as nossas faculdades, e a presença de um importuno...

- Mas não se dá agora esse caso; nem quanto à delicadeza da correspondência, nem quanto à importunidade do visitante.

- Então utilizo-me da concessão.

- Ocupava-me a escrever àquele pobre Cancela, para o tranquilizar em relação à filha. Pobre homem! Ainda se lhe não pôde obter fiança, apesar de meu pai tratar disso, a pedido meu. Há quem trabalhe contra ele. E como há-de ter padecido na cadeia na incerteza em que está! Quem há-de dizer que, naquele corpo, robusto e forte, se aloja uma alma de tão delicados sentimentos? Inda lhe hei-de mostrar a carta que ele me escreveu a pedir-me que trouxesse para o Mosteiro a filha, e a tirasse de casa da madrinha, que com o seu fanatismo a perdeu... É um modelo para seguir.

- E como vai a pequena?

- Mal. Estou aqui a mentir, fazendo conceber àquele pobre homem esperanças, que eu mesma não tenho.

- Que disse o cirurgião?

- Nada animador.

- Como capitulou a moléstia?

- Não sei quê de cérebro; nem eu quis saber. Nunca pude compreender a necessidade que tem certa gente de conhecer a natureza da doença que lhes ameaça roubar uma pessoa querida. Perdê-la ou salvá-la, é a questão que me interessa.

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pág. 339 (Capítulo 22)

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Capa do livro A Morgadinha dos Canaviais
Páginas: 508
Página atual: 339

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 15
III 32
IV 49
V 68
VI 81
VII 95
VIII 113
IX 127
X 144
XI 160
XII 176
XIII 192
XIV 206
XV 226
XVI 239
XVII 252
XVIII 271
XIX 292
XX 309
XXI 324
XXII 339
XXIII 361
XXIV 371
XXV 383
XXVI 397
XXVII 404
XXVIII 416
XXX 440
XXXI 463
XXXII 476
XXXIII 487
Conclusão 506
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