Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 15: XV

Página 226
XV

Fechando-se no quarto que lhe deram para pernoitar, Henrique de Souselas sentiu poucas disposições de dormir. Uma profunda excitação impedia-lhe o repouso; em parte era devida às ocorrências daquela noite, tão fora dos seus hábitos de vida; em parte, digamo-lo em verdade, à influência dos vinhos com que secundara os brindes do conselheiro, e com que ele próprio iniciara outros.

A imaginação, excitada como estava, cada vez entre outras imagens, lhe representava mais bela a de Madalena. A espécie de hostilidade permanente, com que a Morgadinha o tratava, ainda mais parecia seduzi-lo.

Nos poucos dias que passara na aldeia, havia Henrique, com novos hábitos, adquirido uma maneira de ver e de julgar as coisas e as pessoas, diferente da que lhe era habitual na cidade, no círculo de amigos, com quem convivia; assim foi que abjurou tacitamente, e sem dar por isso, certo cepticismo convencional, que uma antipática escola conseguiu pôr muito na moda.

Graças a estas melhoras morais, tão verdadeiras nele como as físicas, as quais até o constante pensamento das doenças lhe haviam dissipado, pudera ele considerar Madalena como uma mulher superior ao tipo pelo qual a mencionada escola costuma modelar o sexo; e aceitou sem má prevenção a aberta sinceridade daquele carácter simpático, que descrevia com entusiasmo nas suas cartas a um dos seus mais íntimos amigos de Lisboa.

Tais estados de convalescença são, porém, sujeitos a recaídas.

Neste dia, véspera de Natal, recebera ele a resposta àquelas cartas, e sob as impressões com que ficou da leitura tinha vindo para o Mosteiro.

O amigo ria-se, com todo o elegante cepticismo de um homem da moda, da candura e da ingenuidade de Henrique. Dizia-se sinceramente penalizado à vista dos profundos estragos que alguns dias de província tinham operado nele.

<< Página Anterior

pág. 226 (Capítulo 15)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro A Morgadinha dos Canaviais
Páginas: 508
Página atual: 226

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 15
III 32
IV 49
V 68
VI 81
VII 95
VIII 113
IX 127
X 144
XI 160
XII 176
XIII 192
XIV 206
XV 226
XVI 239
XVII 252
XVIII 271
XIX 292
XX 309
XXI 324
XXII 339
XXIII 361
XXIV 371
XXV 383
XXVI 397
XXVII 404
XXVIII 416
XXX 440
XXXI 463
XXXII 476
XXXIII 487
Conclusão 506
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site