Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 2: II

Página 15
II

O almocreve assentou duas vigorosas pancadas no sólido portão de castanho, diante do qual tinham parado.

As primeiras vozes, a responderem-lhe, foram as de dois cães, que acudiram de longe ao sinal e vieram ladrar à porta com uma fúria, que fez agourar mal a Henrique da cordialidade da recepção que o esperava. De facto as intenções dos quadrúpedes não pareciam demasiado hospitaleiras. O almocreve divertia-se excitando- -os de fora com uma vara de vime, apesar de quantas recomendações de prudência lhe fazia Henrique, não em demasia sossegado.

Afinal ouviu-se uma voz áspera e rouca, chamando os cães à ordem, se é lícito, sem irreverência, empregar neste caso a frase consagrada para outro género de algazarra.

Henrique ouviu rodar a chave, correr os ferrolhos, levantar a aldraba, gemerem os gonzos, e enfim um homem de lavoura, alto e magro, trazendo em punho um lampião de frouxíssima luz, apareceu- lhes à porta e saudou-os com a fórmula do estilo:

- Ora Nosso Senhor lhes dê muito boas noites.

E, levantando a luz à altura do rosto de Henrique, pôs-se a mirá-lo com a menos cerimoniosa curiosidade.

- É o sobrinho cá da senhora, não é verdade?

- Sou eu mesmo.

- Está um tempo muito azedo. Eu já julgava que não vinham. Entre.

Henrique não se resolvia a aceitar o convite, porque lhe continuavam a impor respeito os olhares ferinos e os rugidos surdos dos dois façanhosos quadrúpedes, cuja má vontade era a custo refreada.

- Entre, entre - insistia o homem.

- Mas esses animalejos?...

- Ah! isto não faz mal. Sai-te p’ra lá, Lobo; passa, Tirano! Lobo! Tirano! Que nomes! E dizia o homem que não faziam mal!

- C’os diabos! ti’Manuel - disse o almocreve - em ocasião de esperarem hóspedes, não se soltam assim os cães.

<< Página Anterior

pág. 15 (Capítulo 2)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro A Morgadinha dos Canaviais
Páginas: 508
Página atual: 15

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 15
III 32
IV 49
V 68
VI 81
VII 95
VIII 113
IX 127
X 144
XI 160
XII 176
XIII 192
XIV 206
XV 226
XVI 239
XVII 252
XVIII 271
XIX 292
XX 309
XXI 324
XXII 339
XXIII 361
XXIV 371
XXV 383
XXVI 397
XXVII 404
XXVIII 416
XXX 440
XXXI 463
XXXII 476
XXXIII 487
Conclusão 506
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site