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Capítulo 23: XXIII

Página 361
XXIII

Dominado por os mais enérgicos e desencontrados sentimentos, Augusto saiu do Mosteiro, ainda sem plano formado, sem tenção definida, mas compreendendo vagamente a necessidade de abraçar uma resolução qualquer.

As palavras que D. Vitória inconsideradamente soltara, tinham-lhe feito conceber a suspeita de que Henrique não fora alheio à calúnia que pesava sobre ele. Daí a atribuir-lhe todo o plano da intriga não ia longe, e justo é confessar que não era destituída de plausibilidade a ideia.

A espécie de aversão recíproca que, desde o primeiro encontro, os dividira, a maior veemência da entrevista na noite de Natal, em que ficara pendente entre eles uma provocação, só à espera de pretexto, concorriam para dar vigor a esta suposição.

Por isso, depois de por muito tempo percorrer à toa os caminhos dos campos, sem consciência nem destino, Augusto encaminhou-se resolutamente para Alvapenha.

Estava ainda pouco senhor de si para meditar nas circunstâncias que ocasionaram a sua acusação. Mal poderia até dizer do que era acusado. Percebeu que se tratava de um abuso de confiança, de uma infâmia, mas a impressão recebida fora tal que não o deixara investigar os pormenores do facto. Previa em tudo isto uma traição, e, para a esclarecer, dirigiu-se à única pessoa de quem lhe parecia provável que ela partisse.

Quando chegou a Alvapenha, já tinha ali passado a hora de jantar.

Henrique retirara-se para o quarto; D. Doroteia e Maria de Jesus, aquela dobando, esta fiando, aproveitavam o tempo a rezar parte das suas longas orações quotidianas.

Quando Augusto bateu à porta, estavam elas de volta com a ladainha, que D. Doroteia dizia em latim, a seu modo, e a que Maria de Jesus respondia no mesmo idioma.

- Turris e burris, fedilisarca, espeque da justiça, Joannes asellis - dizia D.

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Capa do livro A Morgadinha dos Canaviais
Páginas: 508
Página atual: 361

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 15
III 32
IV 49
V 68
VI 81
VII 95
VIII 113
IX 127
X 144
XI 160
XII 176
XIII 192
XIV 206
XV 226
XVI 239
XVII 252
XVIII 271
XIX 292
XX 309
XXI 324
XXII 339
XXIII 361
XXIV 371
XXV 383
XXVI 397
XXVII 404
XXVIII 416
XXX 440
XXXI 463
XXXII 476
XXXIII 487
Conclusão 506
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