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Capítulo 28: XXVIII

Página 416
XXVIII

A casa e a quinta dos Canaviais, desabitadas depois da morte da velha morgada, madrinha de Madalena, era uma sombria residência, situada num dos mais ermos e melancólicos lugares da aldeia.

O tempo, cuja acção não contrastada se exercera livremente nelas, viera aumentar o aspecto soturno que desde a origem apresentava esta casa, enegrecendo-lhe as paredes, revestindo-lhe de erva os telhados, de musgo as padieiras e as junturas da pedra, e povoando-lhe de morcegos e de corujas os buracos dos muros.

Enfim, a superstição popular terminara a obra, fazendo divagar as almas do outro mundo por aquelas salas e corredores vazios, e nas ruas daquela quinta, entregue à natureza.

A defunta morgada, que não se recolhera à aldeia senão depois de ter gozado na capital de todos os esplendores da vida das cidades, e brilhando nas mais concorridas e elegantes salas do seu tempo, gozava nesta pequena terra, onde passara o resto da vida, de uma fama de espírito forte, que, em grande parte, concorrera para generalizar a opinião de que a sua alma andava ainda penando por cá.

Contavam-se entre o povo anedotas absurdas, em relação aos anos da mocidade da morgada. A imaginação popular fazia a biografia daquela senhora, colorindo-a com as tintas maravilhosas com que costuma fantasiar a vida dos grandes centros, de que vive afastada.

A morgada, que só renunciou ao mundo quando os espelhos começaram a falar-lhe da vaidade das glórias que repousam nos encantos da beleza, passou, como sucede muitas vezes, de um extremo a outro extremo, e da vida elegante às práticas de devoção.

Nos Canaviais ouvia missa todos os dias, confessava-se todas as semanas, comungava todos os meses, sem contudo resignar absolutamente os hábitos de elegância de que já fizera uma necessidade natural.

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Capa do livro A Morgadinha dos Canaviais
Páginas: 508
Página atual: 416

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 15
III 32
IV 49
V 68
VI 81
VII 95
VIII 113
IX 127
X 144
XI 160
XII 176
XIII 192
XIV 206
XV 226
XVI 239
XVII 252
XVIII 271
XIX 292
XX 309
XXI 324
XXII 339
XXIII 361
XXIV 371
XXV 383
XXVI 397
XXVII 404
XXVIII 416
XXX 440
XXXI 463
XXXII 476
XXXIII 487
Conclusão 506
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