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Capítulo 37: XXXVIII - Justificação de Carlos

Página 414

Jenny foi direita ao fim da visita.

– Minha senhora – disse ela –, eu chamo-me Jenny Whitestone.

A senhora estremeceu de surpresa. Jenny prosseguiu com uma concisão verdadeiramente inglesa:

– Venho de propósito procurá-la, e não sei ainda a quem tenho a honra de falar. O fim da minha visita é este: Meu irmão, Carlos Whitestone, saiu há dias de casa na companhia de uma senhora; entrou em uma loja de ourives, e vendeu um relógio, que, pouco tempo antes, recebera de meu pai. – Este facto foi sabido; meu pai experimentou com isto grande desgosto, e esta acção de Carlos tem sido interpretada de maneira desfavorável para ele e trazido consigo dissensões domésticas, que trabalho por aplacar. Meu irmão afiança não ter sido indigno o motivo do sacrifício que fez daquela dádiva do afecto paterno; insiste porém em não o explicar. Eu creio na palavra de Carlos, porque o conheço; mas nem todos depositam nele a mesma confiança. Soube por acaso que era V. Ex.a a senhora que naquela manhã acompanhava meu irmão. Poderei obter de V. Ex.a provas para a justificação de Carlos?

Enquanto Jenny falava, a senhora mostrava-se cada vez mais agitada, como se diversas sensações se combatessem nela. Ao ouvir-lhe esta pergunta, respondeu com as lágrimas nos olhos:

– Pode, sim, minha senhora; mas… depois de V. Ex.a as ver, dirá se me será possível deixar de pedir-lhe que não use delas.

– Como? – perguntou Jenny, admirada.

Em vez de responder, a senhora levantou-se e aproximou-se de uma secretária, que abriu. Voltou dentro em pouco, trazendo alguns papéis na mão.

– Eu sou a mãe de Paulo, o caixeiro do escritório do Sr. Whitestone.

– Ah!

– Queira ler esta carta, minha senhora.

Era uma carta de Paulo à mãe.

Jenny leu; a meia leitura, saltavam-lhe já as lágrimas dos olhos e compreendia tudo.

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Capa do livro Uma Família Inglesa
Páginas: 432
Página atual: 414

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I - Espécie de prólogo, em que se faz uma apresentação ao leitor 1
II - Mais duas apresentações, e acaba o prólogo 11
III - Na Águia de Ouro 21
IV - Um anjo familiar 42
V - Uma manhã de Mr. Richard 53
VI - Ao despertar de Carlos 61
VII - Revista da noite 71
VIII - Na praça 81
IX - No escritório 94
X – Jenny 110
XI – Cecília 119
XII - Outro depoimento 128
XIII - Vida portuense 139
XIV - Iminências de crise 159
XV - Vida inglesa 168
XVI - No teatro 182
XVII - Contas de Carlos com a consciência 197
XVIII - Contas de Jenny com a consciência de Carlos 212
XIX - Agravam-se os sintomas 222
XX - Manuel Quintino procura distracções 236
XXI - O que vale uma resolução 247
XXII - Educação comercial 262
XXIII - Diplomacia do coração 277
XXIV - Em que a senhora Antónia procura encher-se de razão 283
XXV - Tempestade doméstica 290
XXVI - Ineficaz mediação de Jenny 298
XXVII - O motivo mais forte 305
XXVIII - Forma-se a tempestade em outro ponto 312
XXIX - Os amigos de Carlos 326
XXX - Peso que pode ter uma leviandade 344
XXXI - O que se passava em casa de Manuel Quintino 353
XXXII - Os convivas de Mr. Richard 362
XXXIII - Em honra de Jenny 371
XXXIV - Manuel Quintino alucinado 381
XXXVI - A defesa da irmã 397
XXXVII - Como se educa a opinião pública 406
XXXVIII - Justificação de Carlos 412
XXXIX - Coroa-se a obra 422
Conclusão 432
 
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