Ouvindo ler aquilo, disse:
– Ora! Isso é história! Os gazetilheiros às vezes…
– História! Ó Sr. Fortunato, por quem é! – exclamou Cecília impaciente. – Lembre-se de que é um irmão a querer salvar um irmão, e a vê-lo morrer; de que é um pai que perde dois filhos; não acha ainda razão de mais para a morte ou para a loucura?
– Pois então o outro que não fosse meter-se ao perigo; devia lembrar-se…
– Ora devia lembrar-se!… Quem se lembra de nada naqueles momentos? O Sr. Fortunato tem coisas!
Fortunato já estava arrependido do que dissera.
– Com menos motivos – acudiu Manuel Quintino – se arriscou há tempos na Foz o Carlitos, lá o filho do meu patrão. Virou-se no meio do rio um pequeno barco valboeiro, que ia governado por duas crianças, uma das quais nem sabia nadar; e ele, que andava às gaivotas com outros ingleses – que é o seu gosto – não esperou mais nada e zás… mergulhou como um peixe e salvou a criança. Depois continuou a caçar, com a roupa molhada no corpo, ainda por muito tempo, em termos de ganhar qualquer doença.
Cecília estava tão entretida a examinar não sei o quê, que vinha no periódico, tão perto tinha os olhos das letras, que julgo nem dava atenção ao episódio narrado por Manuel Quintino.
É verdade que, assim que o Sr. José Fortunato, depois de ouvi-lo, disse, com os seus modos secos: – «Estroinices», Cecília levantou a cabeça com ímpeto e fitou-o corando e com uma expressão pouco lisonjeira para o velho.
Eu não sei bem explicar este movimento em uma pessoa distraída, como ela estava, movimento que aliás não teve consequências, pois, voltando à posição anterior, passou a ler o folhetim.