Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 8: Capítulo 8

Página 43

Tom caminhou por atalhos, até se afastar completamente do trajecto que costumavam seguir os rapazes na volta para a escola. Então, cabisbaixo, foi andando e atravessou duas ou três vezes um pequeno braço de rio, pois tinha a superstição de que passar por cima da água frustrava a perseguição.

Meia hora depois desaparecia por detrás do solar dos Douglas, no alto do monte Cardiff; lá em baixo, no vale, o edifício da escola ficava a perder de vista. Entrou num bosque denso e caminhou por chão não trilhado até ao centro. Aí, sentou-se sobre o musgo, à sombra de um enorme carvalho.

Não corria a mais leve aragem; o calor do meio-dia tinha feito calar até o canto das aves. Toda a natureza estava imersa num silêncio só cortado de quando em quando pelo ruído longínquo do pica-pau, que parecia tornar mais profunda a solidão.

A alma do rapaz estava afogada em melancolia e o que sentia adaptava-se perfeitamente ao que o rodeava. Durante muito tempo esteve sentado, com os cotovelos nos joelhos e o queixo nas mãos, a meditar. Parecia-lhe que a vida consistia apenas em sofrimento e quase invejava Jimmy Hodges, recentemente libertado destes tormentos. Que bom devia ser, pensou, dormir e sonhar para todo o sempre, com o vento murmurando nas árvores e acariciando a relva e as flores sobre a campa, sem nada com que se preocupar! Se ao menos tivesse boas notas na aula de doutrina, podia desejar morrer e acabar com tudo. Quanto à rapariga... O que tinha ele feito? Tivera as melhores intenções e fora tratado como um cão - um verdadeiro cão. Mas ela havia de se arrepender um dia, talvez quando já fosse tarde de mais. Se ele ao menos pudesse morrer «temporariamente»!

Mas, quando se é muito novo, o coração não se conserva constrangido durante longo tempo, e, assim, passados momentos, Tom recomeçou, quase sem querer, a interessar-se pela vida. Qual seria o efeito se virasse costas e desaparecesse misteriosamente? Que aconteceria se se fosse embora para muito longe, para países desconhecidos, além dos mares, e nunca mais voltasse? O que sentiria ela então? A ideia de se tornar palhaço de circo assaltou-lhe de novo o espírito, mas não lhe agradou. Frivolidade, brincadeiras e calções de cores pareciam-lhe ofensa no meio dos seus pensamentos elevados e românticos. Não. Seria soldado e voltaria muitos anos depois, ilustre e cansado de guerrear. Não! Havia outra coisa melhor ainda.

<< Página Anterior

pág. 43 (Capítulo 8)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro As Aventuras de Tom Sawyer
Páginas: 174
Página atual: 43

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 7
Capítulo 3 12
Capítulo 4 17
Capítulo 5 25
Capítulo 6 30
Capítulo 7 38
Capítulo 8 43
Capítulo 9 47
Capítulo 10 52
Capítulo 11 57
Capítulo 12 61
Capítulo 13 65
Capítulo 14 71
Capítulo 15 76
Capítulo 16 80
Capítulo 17 88
Capítulo 18 91
Capítulo 19 98
Capítulo 20 100
Capítulo 21 104
Capítulo 22 110
Capítulo 23 113
Capítulo 24 118
Capítulo 25 119
Capítulo 26 124
Capítulo 27 131
Capítulo 28 133
Capítulo 29 136
Capítulo 30 142
Capítulo 31 149
Capítulo 32 157
Capítulo 33 160
Capítulo 34 168
Capítulo 35 170
Capítulo 36 174
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site