Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 17: Capítulo 17

Página 88

Mas na tarde desse sábado não houve animação na aldeia. Os Harpers e a tia Polly estavam de luto, no meio de um grande desgosto e muitas lágrimas. Uma calma desusada envolvia a aldeia já de si bastante tranquila. Os aldeões faziam o seu trabalho com um ar abstracto e pouco falavam, mas suspiravam muito. O feriado de sábado pareceu às crianças um pesado fardo. Não havia alegria nas suas brincadeiras, que abandonaram pouco a pouco.

À tarde, Becky Thatcher deu por si a passear tristemente pelo pátio da escola e sentiu-se muito melancólica. Não havia ali nada que a confortasse, e, de si para si, disse:

- Se ao menos tivesse outra vez a maçaneta dourada da chaminé! Mas não tenho nenhuma recordação dele...

Pouco depois, parou, sufocando um soluço.

- Foi aqui mesmo! - murmurou. - Se pudesse voltar atrás não repetiria o que disse, não repetiria o que disse por nada deste mundo! Mas agora morreu, e nunca mais, nunca mais o verei!

Este pensamento venceu-a e ela continuou a passear, com as lágrimas a rolarem-lhe pela cara. Então apareceu um grupo de rapazes e raparigas, companheiros de brincadeiras de Tom e de Joe, que ficaram a olhar por cima do ripado e a falar, num tom reverente, na maneira como Tom tinha feito isto e aquilo a última vez que o tinham visto, e como Joe dissera uma ou outra coisa, que lhes parecera insignificante, mas que, afinal, era tão cheia de presságios, como agora se via. Cada um dos que falavam mostrava o sítio exacto onde os pobres rapazes estavam nessa ocasião, e explicava:

- Eu estava mesmo aqui, tal e qual como estou agora, como se tu fosses ele.

Estava assim pertinho e ele sorriu assim e eu senti uma coisa passar por mim. Foi horrível, sabes? Mas nunca percebi o que aquilo queria dizer senão agora.

Depois discutiram quem tinha visto os falecidos pela última vez. Todos queriam pertencer a esse número, davam provas e faziam discursos mais ou menos interrompidos pelos que ouviam; mas, quando se decidiu finalmente quem tinha visto e trocado com os desaparecidos as derradeiras palavras, esses tomaram uma enorme importância e foram invejados pelos outros, que os ouviram de boca aberta. Um pobre pequeno, que não tinha mais nada de que se gabar, disse com certo orgulho:

- Uma vez, Tom Sawyer deu-me uma sova.

Mas esta pretensa glória foi um malogro. Ser sovado por Tom Sawyer não tinha nada de especial, visto que a maior parte dos rapazes da aldeia podia gabar-se disso.

<< Página Anterior

pág. 88 (Capítulo 17)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro As Aventuras de Tom Sawyer
Páginas: 174
Página atual: 88

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 7
Capítulo 3 12
Capítulo 4 17
Capítulo 5 25
Capítulo 6 30
Capítulo 7 38
Capítulo 8 43
Capítulo 9 47
Capítulo 10 52
Capítulo 11 57
Capítulo 12 61
Capítulo 13 65
Capítulo 14 71
Capítulo 15 76
Capítulo 16 80
Capítulo 17 88
Capítulo 18 91
Capítulo 19 98
Capítulo 20 100
Capítulo 21 104
Capítulo 22 110
Capítulo 23 113
Capítulo 24 118
Capítulo 25 119
Capítulo 26 124
Capítulo 27 131
Capítulo 28 133
Capítulo 29 136
Capítulo 30 142
Capítulo 31 149
Capítulo 32 157
Capítulo 33 160
Capítulo 34 168
Capítulo 35 170
Capítulo 36 174
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site