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Capítulo 12: XII

Página 181

- Que sabes dele?

- A seu tempo o direi.

- Como te vieram essas presunções de conhecedor dos corações alheios? Não tinhas isso, quando daqui foste.

- Às vezes vê-se melhor de longe.

- Os de vista cansada... de muito ver.

- Bem; depois falaremos. Vamos lá ter com a nossa gente, que o pai não tarda aí.

De facto, meia hora depois estava a família toda reunida numa das salas principais da casa. O conselheiro, sentado numa cadeira de braços, tinha ao colo Mariana; Cristina, a pé, encostava-se-lhe familiarmente ao ombro; a Morgadinha, sentada em tamborete baixo, apoiava o braço, em que recostava a cabeça, em um dos joelhos do pai. Do outro lado da sala, D. Vitória, sentada no sofá, servia de travesseiro a um dos pequenos, que, apesar de prometer estar acordado, para que o deixassem ficar a pé, adormecera. Junto deste, Ângelo fazia frequentemente rir sua tia e Eduardo com as histórias que lhes contava.

A conversa cedo se generalizou. Era uma dessas conversas íntimas, familiares, em que se referem as mais insignificantes circunstâncias da vida doméstica; conversas cujo suave perfume só em família se aprecia.

Pobre do estranho que por acaso se encontra num desses círculos apertados pelos estreitos laços da amizade e do parentesco, e se vê obrigado a ouvir a minuciosa crónica das ocorrências da casa, que não é a sua! É uma patética ilusão a de certas famílias, que imaginam que para todos é de igual interesse a narração dos sucessos domésticos, que tanto as deleitam, e com ela entretêm o primeiro indiferente que se lhes depara; tudo trazem à luz: o dito agudo da criança de três anos, os incómodos que sofreu na primeira dentição, as espertezas do gato favorito, as razões ponderosas que aconselharam a mudança de um

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pág. 181 (Capítulo 12)

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Capa do livro A Morgadinha dos Canaviais
Páginas: 508
Página atual: 181

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 15
III 32
IV 49
V 68
VI 81
VII 95
VIII 113
IX 127
X 144
XI 160
XII 176
XIII 192
XIV 206
XV 226
XVI 239
XVII 252
XVIII 271
XIX 292
XX 309
XXI 324
XXII 339
XXIII 361
XXIV 371
XXV 383
XXVI 397
XXVII 404
XXVIII 416
XXX 440
XXXI 463
XXXII 476
XXXIII 487
Conclusão 506