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Capítulo 1: I

Página 1
I

A tradição popular em Portugal, nos assuntos de história pátria, não se remonta além do período da dominação árabe nas Espanhas.

Pouco ou nada sabe o povo de celtiberos, de romanos e de visigodos. É, porém, entre ele noção corrente que, em outros tempos, fora este país habitado por mouros, e que só por força de cutiladas e de botes de lança os expulsaram os cristãos para as terras da Mourama. Os vultos heróicos de reis e cavaleiros nossos, que se assinalaram nas lutas dessa época, ainda não desapareceram das crónicas orais, onde vivem iluminados por a mesma poética luz das xácaras e dos romances nacionais; e hoje ainda, nas danças e jogos que se celebram nos lugares públicos das vilas e aldeias, por ocasião das principais solenidades do ano, apraz-se a memória do povo de recordar os feitos daqueles tempos históricos por meio de simulados combates de mouros e cristãos.

Nos contos narrados em volta da lareira, onde nas longas noites de serão se reúne a família rústica, ou às rápidas horas de uma noite de estio, na soleira da porta, ao auditório atento que segue com os olhos a Lua em silenciosa carreira por um céu sem estrelas, avulta uma criação extremamente simpática, a das mouras encantadas, princesas formosíssimas que ficaram desses remotos tempos na Península, em paços invisíveis, à espera de quem lhes vinha quebrar o cativeiro, soltando a palavra mágica.

Fala-se em diversos pontos das nossas províncias, com a seriedade que é própria a uma arreigada crença, de tesouros enterrados, que os mouros por aí deixaram, na esperança de voltarem um dia a resgatá-los, e já não têm sido poucas as escavações empreendidas no ávido intuito de os descobrir.

Esta mesma noção histórica do povo é a que dá lugar a um outro frequente facto.

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pág. 1 (Capítulo 1)

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 1

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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