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Capítulo 11: XI

Página 127
XI

Pela manhã do dia seguinte recebeu Jorge um recado do pai, para ir falar-lhe.

Apressou-se em obedecer. Foi encontrar D. Luís a passear no quarto, e manifestamente irritado. Vendo entrar o filho, mostrou-lhe uma carta aberta que estava em cima da mesa.

- Ah! É da prima? - exclamou Jorge, depois de examinar a assinatura. - Finalmente escreveu!

- Podia dispensar-se de o fazer - resmungou o fidalgo, e prosseguiu:

- Parece-me que não foste muito feliz na lembrança de bater a essa porta.

- Então?!

- Lê e verás.

Jorge leu, a meia voz, a carta que era concebida nestes termos:

«Meu bom tio.

Tive, ao voltar a Lisboa de uma visita a Espanha, a mais agradável surpresa. Recebi, enfim, uma carta sua! A singularidade do facto não me inabilitou para sentir no maior grau uma salutar alegria. Cuidava que me tinham esquecido. Convenci-me agora de que felizmente me enganara. Lisonjeou-me ainda o ver que o meu bom tio se dirigia a mim, para me pedir conselho! Claro estava que já não era no seu conceito aquela doudivanas de outros tempos. Ainda bem que me faz um poucochinho de justiça. Não se arrependa; efectivamente hoje estou mais ajuizada. O carácter de viúva dá-me um ar de respeitabilidade que vai muito bem com os meus vestidos escuros, nos quais a garridice não ultrapassa ainda os limites do roxo. Mas devo confessar-lhe que me incumbe de uma espinhosa tarefa! Descobrir a carreira mais adequada ao nosso caro Maurício, que deve ser a estas horas um bonito e elegante rapaz, mas contanto que, acrescenta o meu querido tio, ele não seja obrigado a transigir com as ideias do século», é deveras uma missão difícil e para melhor engenho do que o meu. Principio por não saber bem quais são as tais ideias do século com que o priminho Maurício não deve transigir.

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pág. 127 (Capítulo 11)

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 127

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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