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Capítulo 3: III

Página 25
III

Tomé da Póvoa era o tipo mais completo de fazendeiro que pode desejar-se.

«Alma sã em corpo são»: esta frase do poeta é a que descreve melhor o homem; no físico, a força e a saúde em pessoa; no moral, a honradez e a alegria.

Enquanto houvesse alguém que trabalhasse em casa não descansava ele. Delícias do sono de madrugada, atractivos das sestas, a tudo resistia com nunca desmentida coragem. Na abastança conservava os costumes laboriosos de tempos mais árduos. Tudo lhe corria pelas mãos, a tudo superintendia. Antes de almoçar já ele havia passado revista à Herdade toda. No decurso do dia montava a cavalo e lá ia inspeccionar uma ou outra propriedade mais distante, que não deixava entregue à discrição dos caseiros. Uma ou duas vezes no mês estendia as suas excursões até ao Porto, chamado por negócios relativos à lavoura.

Franco, liso de contas, pontual nos pagamentos, cavalheiro nos contratos, não se lhe limitava o crédito à circunscrição da sua aldeia, estendia-se até à cidade, onde o seu nome era melhor garantia em certas transacções do que o de muitos faustosos negociantes. Em família, perfeitamente patriarcal, estremecia a mulher e os filhos; e a lembrança de que para eles trabalhava iludia-lhe as fadigas e os desalentos.

Quando Jorge se dirigiu à Herdade, presidia ainda Tomé aos diversos trabalhos em que a sua gente andava ocupada naquela manhã.

Não havia ali braços quietos, nem movimentos inúteis. Naquelas casas o trabalho não distingue sexo nem idade. Todos, desde a infância, se familiarizam com ele. Dá-se o mesmo que se dá com o trato dos bois; somente na cidade é que estes possantes e bondosos animais metem medo às mulheres e às crianças; na aldeia umas e outras os afagam e dirigem.

Assim, pois, trabalhava-se, falava-se, ria-se e cantava-se com alma nas eiras e quinteiros da Herdade.

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 25

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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