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Capítulo 26: XXVI

Página 358
XXVI

Clemente, o filho da Ana do Vedor, que nos tem andado longe da vista desde a primeira vez que o encontrámos, estava destinado a influir na sorte dos principais personagens desta história; convém portanto que outra vez o chamemos mais para a luz.

Sabemos já que a vida pública deste bem-intencionado rapaz não era isenta de espinhos. As resistências e estorvos que se opunham à carreira direita que o seu vivo sentimento de justiça lhe traçara, deixavam-lhe íntimos desgostos e turbavam-lhe a bucólica serenidade dos seus dias.

Embora às iniquidades que observava fosse estranha a sua vontade e a sua cooperação; embora a consciência lhe não exprobrasse uma única infracção voluntária das leis, que religiosamente acatava, ainda assim, como todas as almas bem formadas, Clemente tinha motivos de sobra para lhe amargurarem o coração generoso e leal, vendo de perto a parcialidade e as paixões más que presidiam a distribuição da justiça pelas mãos dos seus superiores e os privilégios que faziam desviar a balança da horizontalidade com que ele sonhara.

Todos os caracteres nobres não adquirem, sem doloroso aprendizado, a desconsoladora ciência que se chama cepticismo. Cada ilusão que se desvanece é um golpe fundo no mais sensível da alma, e os conflitos da vida social deixam feridas que só lentamente cicatrizam.

Clemente estava neste caso. Modestas como eram, as suas funções civis tinham-lhe aberto os olhos para muitas coisas obscuras e desenvolvido no espírito um fermento de descrença.

Assustado com o que sentia, temendo saber mais e ser obrigado a operar como instrumento passivo em iniquidades que lhe repugnavam, Clemente sentiu o desejo de se acolher à vida privada, onde não lhe chegasse aos ouvidos o rumor das injustiças humanas.

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pág. 358 (Capítulo 26)

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 358

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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