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Capítulo 24: XXIV

Página 332
XXIV

No dia seguinte pela manhã, D. Luís mandou pedir à baronesa autorização para fazer-lhe uma visita, reclamada por motivos urgentes.

Gabriela respondeu que o ficava aguardando com impaciência.

E não foi por mero cumprimento que o disse; os negócios daquela família achavam-se em um estado tal, que era de esperar de momento para momento uma crise importante, e o menor sucesso podia provocá-la.

Gabriela sabia-o e aguardava-a.

Meia hora depois entrou D. Luís sombrio e grave no gabinete da sobrinha.

Esta acolheu-o com a maior deferência, procurando ler-lhe no semblante o pensamento que o trouxera ali, mas empregando no exame toda a dissimulação.

- Para que se incomodou, tio Luís? Se quisesse ter a bondade de esperar, eu iria receber as suas ordens.

- Ergui-me cedo. E ergui-me sem ter dormido. Por isso fui tão matinal.

- Meu Deus! achou-se então incomodado?

- De espírito, muito; muito.

E D. Luís passou a mão pela fronte, suspirando.

- E posso proporcionar-lhe algum alívio, meu tio? - perguntou Gabriela, conduzindo-o para um sofá, onde se sentou ao lado dele, olhando-o com ar de interrogação e de interesse.

- Gabriela, a sorte de minha família está jogada. É uma família perdida - rompeu veementemente o fidalgo.

- Não diga isso, tio Luís.

- Digo-o e sinto-o - continuou ele mais exaltado.

- Quando uma casa como a nossa, que não pode já conservar o antigo esplendor e o estado que em melhores tempos sustentou, não sabe de mais a mais manter o prestígio que teve por as práticas tradicionais de nobreza, por acções de fidalguia, enfim por estes actos de superioridade que fazem dobrar a cabeça aos mais insolentes e intimidar a vista dos invejosos, quando uma casa chegue a um tal estado de decadência, nenhum apoio sólido tem a sustentá-la e em pouco tempo cairá em ruína total.

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 332

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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