Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 6: VI

Página 62
VI

Ao chegar à porta dos aposentos do pai experimentou Jorge uma primeira hesitação.

D. Luís tratava sempre os filhos de uma maneira tão austera, abria-se-lhes tão pouco em confidências, mostrava tão má vontade em ter com eles longas e sérias conversações, que Jorge precisava de exercer um grande esforço sobre si mesmo para dar aquele passo tão fora dos seus hábitos.

Pela primeira vez os filhos procuravam assim o pai no próprio quarto dele; a estranheza do facto seria pois já uma razão bastante para os perturbar, ainda quando não concorresse para o mesmo efeito a natureza do assunto da conferência, que não podia ser mais solene.

A resolução de Jorge era porém muito forte, e o entusiasmo de Maurício muito inconsiderado para que se deixassem dominar por aquela quase instintiva timidez.

Jorge bateu à porta com íntimo sobressalto.

Respondeu imediatamente a voz de D. Luís, mandando entrar quem batia.

Os dois irmãos impeliram diante de si a porta, e, afastando o reposteiro, entraram.

Os raios do luar tinham já principiado a penetrar na sala desenhando no pavimento as projecções das janelas ogivais, que a pouco e pouco cresciam para o interior.

Do lado da porta eram porém ainda espessas as sombras, e D. Luís não podia conhecer quem entrava.

A sala era extensa, e por isso alguns momentos decorreram, longos para a impaciência do fidalgo, antes que os dois rapazes chegassem ao lugar onde ele os esperava, escutando com estranheza aqueles passos, sem poder conjecturar de quem fossem.

Afinal, próximos da cadeira do pai, pararam e guardaram por instantes silêncio.

A fronte descoberta ficava-lhes alumiada pelo luar, e recebia daquela misteriosa luz uma singular expressão de gravidade.

D. Luís, reconhecendo os filhos, olhou fixamente para eles, e perguntou-lhes admirado:

- O que é que pretendem?

Jorge foi o que respondeu:

- Se V.

<< Página Anterior

pág. 62 (Capítulo 6)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 62

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site