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Capítulo 34: XXXIV

Página 462
XXXIV

Desde o dia em que Berta falara no seu casamento ao fidalgo da Casa Mourisca nunca mais correram as horas nos Bacelos para o velho e para a rapariga tão alegres como até aí.

Nem uma palavra se trocou mais entre eles sobre o assunto, mas fácil era de perceber que ele ainda dominava o pensamento de ambos.

Tanto os sorrisos de Berta como aqueles com que D. Luís lhes correspondia empanava-os uma nuvem de tristeza.

O fidalgo a cada momento pensava na separação iminente, na necessidade de dar à afilhada o consentimento prometido, e cada vez menos coragem sentia para fazê-lo.

Berta recebia como que a projecção da tristeza do velho, demais, a sua própria crescia à medida que se aproximava o momento em que tinha de realizar-se o sacrifício do seu coração, sacrifício cuja grandeza de dia para dia mais avultava no seu espírito.

Actuou esta influência no estado do enfermo, que ia perdendo o alento adquirido sob a benéfica vigilância da rapariga.

Por isso no dia em que se passaram as cenas narradas no último capítulo e nas quais a intrépida Ana do Vedor desempenhou tão importante papel, D. Luís achava-se em um estado de abatimento pouco animador.

Não saíra esse dia do quarto, como era seu costume quando ia sentar-se com Berta à sombra das árvores. Queixou-se de fraqueza e de frio, e ficou na poltrona ao lado da janela a espreitar por dentro das vidraças para as avenidas da quinta.

Berta havia por instantes deixado o padrinho para temperar-lhe um remédio; e o doente, ficando só, caíra em uma profunda meditação, seguindo maquinalmente com a vista os movimentos de uma avezita que saltava nos ramos de uma árvore distante.

De repente chamou-lhe a atenção o rumor dos passos de alguém que se aproximava do corredor e que parou à porta do quarto, como se hesitasse ao entrar.

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 462

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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