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Capítulo 8: VIII

Página 86
VIII

Sucederam-se muitos dias sem que na vida dos diferentes personagens, que já temos apresentado ao leitor, ocorressem incidentes dignos de menção.

Maurício permanecia na aldeia, e vivia nela a mesma vida que até ali, porque não se obtivera ainda da prima baronesa a resposta à carta de D. Luís.

Apesar da energia com que vimos aquele rapaz abraçar os nobres projectos do irmão, exige a verdade que se diga que ele sofria com demasiada resignação as delongas da empresa, na parte que lhe dizia respeito, e continuava a distrair-se como dantes em passeios, caçadas e aventuras galantes. Estava-lhe isto no carácter.

Jorge, esse deitara-se de corpo e alma ao trabalho. Estudava no gabinete, discutia nas conferências com Tomé, e principiara já a realizar reformas e melhoramentos, prometedores de vantagens futuras.

Os capitais agenciados pelo fazendeiro haviam já permitido libertar a casa de muita usura e encetar em uma das melhores propriedades do antigo morgado trabalhos agrícolas mais activos e metódicos; viam-se já por lá as enxadas e os arados revolverem a terra e desarreigarem as ervas estéreis; já se podava e enxertava nas vinhas e pomares quase bravios, aproveitavam-se as águas, fertilizava-se o solo, sentia-se renascer aquela natureza amortecida, como se entrasse na convalescença de uma longa enfermidade.

Frei Januário presenciava aqueles prodígios com espanto e despeito, murmurando dos gastos loucos em que o rapaz se metia.

- Muito havemos de rir afinal - dizia ele. - Entradas de leão; agora as saídas…

Não comunicava porém as suas reflexões ao fidalgo, porque tinha medo de Jorge.

D. Luís, que em um dos passeios que costumava dar a cavalo, acompanhado de escudeiro à distância marcada pela velha pragmática, teve ocasião de observar esses melhoramentos, sentiu um íntimo prazer, sabendo que aquela fazenda era agricultada por conta da casa.

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pág. 86 (Capítulo 8)

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 86

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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