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Capítulo 21: XXI

Página 286
XXI

A violência das impressões que deixara em Tomé da Póvoa a entrevista com o fidalgo da Casa Mourisca não era para se desvanecer com o inquieto sono de uma só noite.

No dia seguinte, pela manhã, o fazendeiro acordou ainda indignado e firme na resolução que abraçara, de se vingar a seu modo. Nem o ânimo impaciente lhe sofria grande demora na execução.

Logo de madrugada principiou a dispor as coisas para naquele mesmo dia inaugurar a empresa. Deu contra-ordens a criados que tinham serviço talhado de véspera; foi mais expedito na visita quotidiana às diversas repartições do casal; afagou mais distraído a égua fiel, que lhe cheirava os bolsos, habituais portadores de uma lambarice matutina; deu um beijo nas crianças, sem se demorar a fazê-las saltar nos joelhos; mandou que lhe fizessem o almoço mais cedo; depois de almoçar calado, contra o seu costume, ergueu-se da mesa, ordenou que três criados se preparassem para sair com ele, levando alguns instrumentos da lavoura, e afinal acabou por pedir à mulher as chaves da Casa Mourisca.

Luísa, a boa, a prudente Luísa, que desde a véspera observava, sem reflexões, os sinais de desassossego de espírito que manifestava o marido, não pôde, ao ouvir a última ordem, reprimir um movimento de estranheza, e violentando um pouco o seu respeito conjugal, disse, olhando fixamente Tomé:

- As chaves da Casa Mourisca?! Para que queres tu as chaves da Casa Mourisca?

- Provavelmente para abrir as portas.

- E tu vais lá?

- Vou, e olha que já há mais tempo lá me queria.

- E que vais fazer à Casa Mourisca, Tomé?

- O que vou fazer? Vou trabalhar.

- Trabalhar?! Pois tu tomaste-a de renda?!

- Tomá-la de renda? Para quê? Então o fidalgo não me deu as chaves? Então não embirrou em que eu havia de ficar com elas? Pois para espantalho não me servem cá em casa.

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pág. 286 (Capítulo 21)

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 286

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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