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Capítulo 31: XXXI

Página 426
XXXI

Chegaram cartas da baronesa e de Maurício, datadas de Lisboa. As notícias que davam eram satisfatórias. Maurício fora hospedado em casa de um primo remoto de D. Luís e por ele introduzido nos primeiros círculos da cidade, onde recebeu um lisonjeiro acolhimento.

Maurício achava-se naquele mundo, novo para si, como se nele tivesse sido educado. Sentia-se bem ali, agradavam-lhe aqueles hábitos de elegância e de distinção, que não conhecera no canto de sua província, mas cuja necessidade vagamente experimentava havia muito tempo. Era para aquele viver que os seus instintos o inclinavam.

Quando se viu ali respirou com o desafogo de quem sai de um ambiente que o asfixiava. Não necessitou de longo tirocínio para conhecer os usos daquela sociedade e adoptar-lhe os costumes. Em poucos dias não restavam nele vestígios sequer do seu provincianismo. Uma forte vocação substitui um lento noviciado. Os homens acharam-no espirituoso; as mulheres, amável; e para com todos soube ser tão insinuante, que os influentes políticos, a quem a baronesa o recomendara, tomaram por ele o mais vivo e prometedor interesse.

Escusado é dizer que Maurício não foi muito escrupuloso na observância dos artigos de fé políticos com que D. Luís doutrinara os filhos. Para génios como o de Maurício, um dos maiores achaques que pode ter uma ideia é o estar fora da moda.

Jorge sentia que não lhe era possível abraçar a crença do pai, porque a razão a condenava; e estas convicções para toda a parte o acompanhariam, porque procediam de um juízo claro e de uma aturada reflexão.

Maurício, apesar de nunca ter aderido manifestamente ao credo paterno, só agora parecia havê-lo deveras renegado, porque o desgostavam os ares de cediço e desusado com que ele lhe aparecia à esplêndida claridade dos salões da moda.

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 426

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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