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Capítulo 14: XIV

Página 155
XIV

Jorge, que ultimamente era menos assíduo em casa de Tomé, sem que este pudesse atinar com a razão do facto, recebeu, na tarde daquele mesmo dia, um bilhete do fazendeiro, pedindo-lhe que o procurasse na Herdade às horas do costume. Jorge não faltou.

Tomé da Póvoa recebeu-o com modos menos desenleados do que os que lhe eram habituais, e com ares de misteriosa preocupação conduziu-o a um gabinete mais retirado da casa, cerrando a porta depois que entraram com excepcional cuidado.

Jorge seguia-lhe com estranheza os movimentos.

Tomé, com um gesto denunciador do esforço que naquele momento fazia sobre si próprio, entrou no assunto com visível repugnância:

- Sr. Jorge, - principiou ele - sei que é meu amigo, e que tem o juízo e a prudência de um homem feito, apesar de novo como é; por isso vou falar-lhe com a franqueza de um homem de bem e de um amigo.

- Nem o Tomé sabe conversar de outra maneira. Diga.

- Pois bem. A coisa é esta... Eu antes queria não falar nisto, mas... enfim... se o negócio há-de ir a mais... e suceder por aí alguma desgraça... enfim... a tempo é que é evitar o mal; quanto ao depois...

- Mas de que se trata?

- Sr. Jorge. É um pai que lhe fala. Tenho uma filha e enfim preciso de vigiar por ela, enquanto não tem marido que a zele e proteja... não é verdade?

Jorge não pôde ouvir sem se perturbar estas palavras, e, interiormente inquieto, sem bem saber porquê, murmurou:

- Decerto mas...

- Ora bem. O Sr. Jorge é rapaz sisudo e pacato, mas enfim sempre há-de saber o que são dezoito, dezanove ou vinte anos, hem? Pode-se ter o juízo muito claro, ver as coisas como elas são, mas... isto de sangue novo... parece que ferve, e depois é como uma doença e como uma febre, a cabeça desaranja-se e não há conselhos que a consertem.

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pág. 155 (Capítulo 14)

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Capa do livro Os Fidalgos da Casa Mourisca
Páginas: 519
Página atual: 155

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
I 1
II 18
III 25
IV 42
V 54
VI 62
VII 72
VIII 86
IX 102
X 114
XI 127
XII 137
XIII 145
XIV 155
XV 168
XVI 197
XVII 214
XVIII 233
XIX 247
XX 255
XXI 286
XXII 307
XXIII 317
XXIV 332
XXV 348
XXVI 358
XXVII 374
XXVIII 391
XXIX 401
XXX 414
XXXI 426
XXXII 440
XXXIII 450
XXXIV 462
XXXV 477
XXXVI 484
XXXVII 499
Conclusão 515
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