Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar
> > > Página 156

Capítulo 31: Capítulo 31

Página 156

Hécuba, a mãe de Heitor, chegava naquele momento à muralha, a tempo de ver o corpo do filho arrastado na lama. No primeiro instante não o reconheceu. Mas num dos solavancos do carro a bela cabeça de Heitor virou-se, ficando com o rosto à vista. A infeliz mãe soltou um grito de dor e caiu desmaiada. O pai chorava e lastimava-se, não se conformando com a desgraça que sobre eles se abatera. O clamor era geral, estavam todos consternados com a morte do ilustre guerreiro e a custo conseguiam reter o ancião que se arrojava em direcção as portas Céias, louco de dor, querendo ir ao encontro do filho. E, como tentavam impedir-lhe esse gesto tresloucado, ele dizia:

— Amigos, deixai-me ir aos navios gregos! Quero humilhar-me diante daquele homem e suplicar-lhe que me entregue o corpo de meu filho. Talvez ele se apiede de minha velhice e me respeite. Também ele tem um pai idoso, Peleu, e pode ser que compreenda a minha dor. Muitos filhos me roubou, mas nenhum era tão querido como Heitor, o mais excelente dos filhos e o melhor de todos os guerreiros! Se ao menos tivesse expirado nos meus braços!

Assim falava Príamo e os anciãos que o cercavam tinham o rosto banhado em lágrimas. As troianas acompanhavam, por sua vez, as lamentações de Hécuba:

— Ah! Meu querido filho! Porque me poupa o destino quando tu já não vives? Tu sempre foste o meu maior orgulho! Por roda parte ouvia homens e mulheres elogiarem as ruas façanhas. Consideravam-te como a um deus e em ti depositavam as suas esperanças de salvação! Agora que a morte velou os teus olhos para sempre, s6 nos resta a destruição e ruína!

Enquanto isto se passava nas muralhas, a mulher de Heitor continuava no palácio, ignorando o que acontecera ao seu marido. Nem sequer sabia que ele tinha ficado fora das portas, decidido a enfrentar Aquiles. Naquela ocasião achava-se em seus aposentos, ocupada em tecer um magnífico tapete destinado a comemorar a vitória dos troianos. Levantou-se do tear e ordenou às criadas que pusessem o caldeirão no fogo, para preparar um banho quente para o marido.

<< Página Anterior

pág. 156 (Capítulo 31)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Ilíada
Páginas: 178
Página atual: 156

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Capítulo 1 1
Capítulo 2 4
Capítulo 3 15
Capítulo 4 18
Capítulo 5 25
Capítulo 6 31
Capítulo 7 37
Capítulo 8 41
Capítulo 9 44
Capítulo 10 49
Capítulo 11 56
Capítulo 12 64
Capítulo 13 67
Capítulo 14 70
Capítulo 15 73
Capítulo 16 80
Capítulo 17 86
Capítulo 18 90
Capítulo 19 96
Capítulo 20 101
Capítulo 21 105
Capítulo 22 112
Capítulo 23 115
Capítulo 24 121
Capítulo 25 124
Capítulo 26 127
Capítulo 27 133
Capítulo 28 139
Capítulo 29 145
Capítulo 30 149
Capítulo 31 156
Capítulo 32 159
Capítulo 33 165
Capítulo 34 175
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site