Procurar livros:
    Procurar
Procurar livro na nossa biblioteca
 
 
Procurar autor
   
Procura por autor
 
marcador
  • Sem marcador definido
Marcador
 
 
 
Navegar

Capítulo 19: Capítulo XVIII

Página 196
O outro dia meteu-se-lhe na cabeça atravessar o quarto só para me abrir a porta, e eu senti-me mais próximo da humanidade do que é meu costume desde há muitos anos. É ridículo, não é? Está claro, eu suponho que há aqui qualquer coisa, qualquer caso feio, que você conhece, mas, se estou persuadido de que se trata de qualquer coisa de realmente feio, digo também para comigo que se lhe pode perdoar. Declaro que sou incapaz de o julgar culpado de qualquer acto mais grave do que o roubo de um pomar. É muito mais grave? Creio que teria sido melhor pôr-me ao corrente, mas há tanto tempo que eu e você nos tornámos dois santos que pode muito bem ter esquecido os pecados da sua juventude. Pode acontecer que lhe peça um dia que me conte tudo, e então terá de o fazer. Não quero interrogá-lo directamente até ter uma ideia do que se trata. E é ainda muito cedo. Deixemo-lo abrir mais umas vezes a porta... ' Nestes termos me escrevia o meu amigo. Eu estava contente por três razões, primeiro pela maneira como Jim se comportava, depois pelo tom da carta e por fim pela minha própria inteligência. Evidentemente, eu sabia o que estava a fazer. Soubera penetrar-lhe o carácter, etc., etc. E se fosse o ponto de partida para qualquer coisa de maravilhoso? Nessa tarde, reclinado numa cadeira de repouso à sombra do meu toldo na popa (estava no porto de Hong-Kong), comecei a sonhar grandezas para Jim.

«Fiz uma nova viagem para o Norte, e quando voltei encontrei outra carta do meu amigo à minha espera. Abri-a imediatamente. 'Não me falta nenhuma colher, creio', dizia a primeira linha; 'de resto, não investiguei muito. Ele partiu, deixando sobre a mesa do pequeno almoço um bilhete muito cerimonioso a pedir desculpa. Esta atitude é própria de uma pessoa estúpida ou sem coração, ou as duas coisas, é-me indiferente.

<< Página Anterior

pág. 196 (Capítulo 19)

Página Seguinte >>

anúncio
Capa do livro Lord Jim
Páginas: 434
Página atual: 196

 
   
 
   
Os capítulos deste livro:
Nota do Autor 1
Capítulo I 4
Capitulo II 12
Capítulo III 19
Capítulo IV 30
Capítulo V 37
Capítulo VI 60
Capítulo VII 82
Capítulo VIII 95
Capítulo IX 107
Capítulo X 119
Capítulo XI 135
Capítulo XII 141
Capítulo XIII 151
Capítulo XIV 164
Capítulo XV 179
Capítulo XVI 184
Capítulo XVII 191
Capítulo XVIII 195
Capitulo XIX 205
Capítulo XX 212
Capítulo XXI 226
Capítulo XXII 235
Capítulo XXIII 242
Capítulo XXIV 251
Capítulo XXV 258
Capítulo XXVI 268
Capítulo XXVII 275
Capítulo XXVIII 283
Capítulo XXIX 292
Capítulo XXX 299
Capítulo XXXI 306
Capítulo XXXII 315
Capítulo XXXIII 322
Capítulo XXXIV 333
Capítulo XXXV 343
Capítulo XXXVI 350
Capítulo XXXVII 357
Capítulo XXXVIII 366
Capítulo XXXIX 376
Capítulo XL 385
Capítulo XLI 395
Capítulo XLII 402
Capítulo XLIII 410
Capítulo XLIV 418
Capítulo XLV 424
Links Relacionados
 
Artigos: Porque lemos literatura | O Ensaio na literatura | O primeiro texto da língua portuguesa 
© 2010 Ciberforma Informática. Todos os direitos reservados. Contacto | Política de privacidade | Mapa do Site